Entendendo o ciclo de hábitos

Olá pessoal!

Tudo bem? Hoje vamos dar sequência ao nosso post sobre procrastinação. Já aprendemos aqui porque ninguém escapa das garras da tal da procrastinação: nosso cérebro ainda não se adaptou ao mundo moderno – ele simplesmente não foi desenhado para isso! Agora vamos aprender a “enganar” nosso cérebro e finalmente realizar o que tanto queremos. Vamos lá?

Toda a nossa rotina, todas as nossas ações são na realidade um grande conjunto de hábitos tão entranhados em nosso cérebro que simplesmente não percebemos alguns deles. Pense bem, um dia, você e eu achamos difícil o processo de escovação dentária, tínhamos que nos esforçar ativamente para passar a escova sem esquecer nenhum dente. Mas a repetição constante transformou essa atividade em algo trivial que nem sequer nos damos conta de sua repetição/ação. Acordar, tomar água, escovar dente; ou – acordar, tomar café, escovar dente. Seja qual for sua rotina matinal, a escovação dentária faz parte dela, imagino eu/assim espero hahaha 

O cérebro gosta e precisa de atividades rotineiras que não exijam esforço mental, pois assim ele consegue guardar energia para gastar com coisas mais importantes, como estudar. É por isso que, para conseguir nos forçar a executar alguma tarefa, temos que primeiro entender como o hábito se forma. Só assim podemos agir e tornar uma tarefa mais atraente.

De acordo com o autor do livro Hábitos Atômicos, James Clear, o ciclo do hábito possui quatro estágios:

ciclo de hábitos

GATILHO

O gatilho aciona o cérebro para iniciar um comportamento. É um pedaço de informação que prevê a recompensa. Por exemplo, ver um biscoito gostoso no armário pode servir de gatilho, pois seu cérebro prevê a bomba de prazer gerado pela dopamina; ou, ter o tênis de correr ao lado da cama pode servir de gatinho para correr logo ao acordar. 

Qualquer coisa pode servir de gatilho, e o efeito pode ser muito diferente de pessoa para pessoa. Para uma pessoa que não gosta de cassinos, o barulho de uma máquina de caça níquel será apenas barulho de fundo. No entanto, se uma pessoa viciada em jogo escutar o mesmo barulho, seu cérebro vai automaticamente para o segundo componente do hábito, o desejo. 

 

DESEJO 

O desejo é a força motriz por detrás de todo hábito. Sem o desejo de mudança, não saímos do lugar. Um ponto importante aqui é que não desejamos o hábito em si, mas o que ele proporciona. Não se deseja fumar, mas a sensação de alívio de stress que ele proporciona; não se deseja escovar os dentes, mas sim a sensação de boca limpa. Não se deseja ver televisão ou uma série, mas sim acabar com o tédio momentâneo.

Como já dissemos, qualquer coisa pode ser considerada um gatilho, o que muda é a interpretação dada. São os pensamentos, sentimentos e emoções individuais que transformam um gatilho em desejo. Se o desejo for forte o suficiente, ele nos leva ao terceiro estágio, a resposta.

 

RESPOSTA

A resposta é a ação em si. Ela ocorre dependendo da motivação decorrente do estágio anterior e da dificuldade associada à execução. Se a ação exigir um esforço mental ou físico maior do que você estiver disposto a gastar, então você não fará nada. A ação também está conectada a capacidade de execução. Se você quiser fazer dez piruetas seguidas mas tiver problema de labirintite, então as coisas ficam mais difíceis. Uma vez executada a ação, o último estágio é o da recompensa.

 

RECOMPENSA

A recompensa é o objetivo final de todo e qualquer hábito, e todas as etapas anteriores caminham culminam nesse objetivo final: o gatilho nos mostra a possibilidade da recompensa, o desejo é a vontade de ter a recompensa e a resposta é a ação para obter a recompensa.

Toda recompensa serve não somente para satisfazer nosso desejo, mas também para nos ensinar. Ela nos ensina quais ações nos fazem sentir bem e quais são inúteis. Ela ensina nosso cérebro qual ação devemos repetir e qual devemos esquecer.

Como podemos, então, interferir nesse ciclo e tornar atividades que procrastinamos mais atraentes até elas se tornarem um hábito? 

Esse será o assunto do próximo post, fique ligado! E, se tiver perdido o post sobre a biologia da procrastinação, clique aqui.

 

Grande abraços e até a próxima!

Lu Vianna