Entendendo a biologia da procrastinação

Olá pessoal!

Tudo bem? Hoje vamos falar de um assunto muito importante, a procrastinação. Todos sofremos desse mal, alguns mais, outros menos, mas ninguém escapa das garras da tal da procrastinação. O artigo será dividido em três posts para facilitar a leitura, e esse é o primeiro.

Afinal, o que é isso? A palavra vem do latim procrastinatus, sendo pro (à frente) e crastinus (de amanhã), ou seja, para amanhã. Com isso, se vê que desde os tempos em que o latim era língua viva, as pessoas deixavam para o dia seguinte algumas tarefas.

 Tá, mas por que isso acontece? Ao contrário do que muita gente imagina, procrastinação não tem a ver com força de vontade ou disciplina. A explicação está em grande parte na biologia do ser humano.

 De acordo com o médico e neurocientista Paul MacLean, o cérebro humano é dividido em três partes, cérebro reptiliano ou primitivo, cérebro límbico ou cérebro das emoções e o neocórtex.

cerebro trino de MacLean

A fim de exemplificar melhor, farei uma comparação com a mão: a parte mais primitiva do cérebro ou o tronco cerebral seria o braço. Essa parte foi a primeira a se desenvolver com a evolução, e garante nossa sobrevivência ao controlar coisas como a fome, sede, sono etc. A segunda parte, chamada de cérebro emocional, seria o dedão apoiado no centro da palma da mão. É uma região menor, mas super importante por ser o centro das nossas emoções. Por fim, o cérebro racional ou neocórtex seria em nossa analogia os quatro dedos fechados por cima do dedão. Formam a massa cinzenta e representam o salto evolutivo do raciocínio que possibilitou a criação da linguagem e o que nos diferencia como espécie.

Se olharmos o cérebro de nossos ancestrais, como o Homo habilis , veremos que não só o cérebro praticamente dobrou de tamanho, como também o formato do crânio mudou consideravelmente para abrigar a parte frontal, recentemente desenvolvida. No entanto, se compararmos nosso cérebro com o primeiro Homo sapiens sapiens (ou o primeiro homem como a gente), veremos que de lá pra cá não aconteceu nenhuma mudança significativa. Ou seja, nosso cérebro é como é há 200 mil anos!

Da Pré-História até a Idade Antiga, transcorreram 196 mil anos, e nosso modo de vida manteve-se muito parecido durante esse tempo. Nós, humanos, nos juntávamos em pequenas aglomerações e vivíamos da caça e pesca. Nossa preocupação se resumia ao que iríamos comer NO DIA e como nos protegeríamos dos perigos naturais PRESENTES. Ou seja, todas as ações traziam resultados imediatos.

Foi a partir da invenção da escrita que as coisas começaram a mudar, pois mudou-se a forma como aprendemos as coisas. Com a aceleração no aprendizado, novas formas de organização foram sendo criadas. Com a criação das primeiras cidades, também vieram novas preocupações. E nossas ações, que sempre traziam resultados imediatos, começaram a produzir resultados não tão imediatos assim – por exemplo, trabalho hoje, ganho moedas para comprar comida no fim do mês.

Agora acelere os últimos dois mil anos. Se nos concentramos nos últimos duzentos anos, vemos como esse ambiente de resultados não imediatos evoluiu. Praticamente todas nossas ações têm resultado em um futuro distante: estudamos por vários anos para possivelmente conseguir um bom trabalho. Trabalhamos vários anos para talvez ganhar bem. Ganhamos dinheiro para quem sabe viajar e relaxar. Aproveitar o momento é uma coisa tão rara que, nem quando tentamos nos desconectar, conseguimos parar de pensar no futuro!

No entanto, nosso cérebro não acompanhou essa evolução. Nosso cérebro continua igual ao cérebro primitivo, que prefere resultados imediatos. Estamos começando a aprender a tratar ameaças futuras como se o resultado estivesse no presente, mas ainda estamos no começo desse aprendizado. Veja abaixo as mudanças da sociedade com uma outra perspectiva.

Perspectiva do tempo

Nesse contexto, mesmo que queiramos ficar magros e lindos, nosso cérebro ainda quer aquele resultado imediato de uma bomba calórica como um sanduíche ou um sorvete. Ou, mesmo sabendo que temos que entregar um trabalho semana que vem e deveríamos trabalhar nele, nosso cérebro só consegue pensar naquele joguinho maravilhoso. É uma guerra constante entre nosso Eu futuro e nosso Eu presente.

Dessa forma, não podemos confiar em nossa força de vontade para convencer o cérebro a fazer coisas que não nos recompensam de forma imediata, só porque o Eu futuro quer. Para isso, temos que:

  1. Entender como as tarefas do nosso dia-a-dia se repetem por meio de hábitos através da compreensão do ciclo de hábitos;
  2. Identificar as tarefas que estamos procrastinando;
  3. Selecionar ações efetivas para tornar essas tarefas mais atrativas, mais fáceis de serem executadas ou fazer com que o resultado seja imediato.

Só assim conseguiremos tornar a tarefa que estamos procrastinando em um novo hábito duradouro.

Clique aqui e aprenda mais sobre o ciclo de hábitos e aqui para saber como atuar para evitar a procrastinação.

E ai? Ficou aliviado de saber que procrastinação não tem nada a ver com força de vontade?

Grande abraços e até a próxima!

Lu Vianna